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AVOIR DES IDÉES FAUSSES SUR UNE QUESTION

10/30/07 11:48 pm - o koan do galho

certa vez, kyogen disse o seguinte:
''zen é como um homem pendurado num alto galho de árvore pelos dentes, sobre um precipício. suas mãos não podem alcançar o galho, seus pés não podem se apoiar em outro ramo.

um homem sob a árvore lhe pergunta: ''por que bodhidharma veio para a china da índia?''

''se o homem na árvore não responder, ele falha; e se ele o fizer, ele cairá e perderá a vida.

assim eu lhes pergunto: o que deve este homem fazer?''

5/2/07 04:50 pm

ele abriu a boca, mas antes de dizer qualquer coisa ouviu o som do fone sendo colocado no gancho, do outro lado da cidade. o disco chegou novamente ao fim mas, antes que recomeçasse, curvou-se e desligou o aparelho. em pé, ao lado da mesa, amassou o papel amarelo e jogou-o no cinzeiro. andou então até o pequeno corredor, curvou-se sobre a planta e, com a brasa do cigarro, fez um furo redondo na folha. respirou fundo, sem sentir cheiro algum. a sala continuava mergulhada naquela penumbra bordô, baça e moribunda, com a almofada brilhando, estranhamente esverdeada, à luz azul de mercúrio. ele fez um movimento em direção ao telefone. chegou a avançar um pouco, como se fosse voltar. mas não se moveu. imóvel assim, no meio da casa, com o som desligado, era possível ouvir o vento soprando solto pelos telhados.

4/19/07 08:45 pm - A CÉLULA



désespoir agréable

4/19/07 07:05 pm - mais um dia

sinoesperafascina

2/24/07 02:33 am

''junto ao farol é escuro.''

- provérbio japonês

1/15/07 09:49 pm

''e aquele lá de cima, o incognoscível, em que centésima carreira de pó cintilante sua bela narina se encontrava quando teve a idéia de criar criaturas e juntá-las?'' - hilda hilst

1/12/07 02:28 am - ALGUMAS LEIS DE MURPHY

se você não perde a cabeça quando todos ao redor já perderam, talvez você apenas não esteja entendendo a situação.

depois do último dos 16 parafusos ser retirado de uma tampa, será descoberto que estava sendo removida a tampa errada, depois que uma tampa for presa por 16 parafusos, será descoberto que uma ferramenta foi esquecida.

um idealista é aquele que, ao perceber que as rosas cheiram melhor que as ervilhas, conclui que elas dariam uma sopa melhor.

sempre se consegue o máximo daquilo que não se precisa.

a outra fila sempre anda mais rápido.

sempre existe mais um bug.

se o sapato couber, ele é feio.

as pessoas aceitarão sua idéia muito mais facilmente se você disser a elas que quem a criou foi albert einstein.

se um objeto está em movimento, ele está indo na direção errada.

se um objeto está parado, ele está no lugar errado.

se você avança facilmente, você está indo para uma emboscada.

a lógica é um método para chegar a uma conclusão errada com confiança.

independente do resultado de uma experiência, existirá sempre alguém querendo interpretar a experiência incorretamente, falsificar sua experiência ou acreditar que ela justifica a sua própria teoria.

expectativas negativas dão resultados negativos. expectativas positivas dão resultados negativos.

um objeto sempre cai de forma a causar o maior prejuízo possível.

cuidado com o homem que se esforça muito para aprender alguma coisa, aprende e depois nota que não está mais inteligente do que antes. ele é cheio de um ressentimento assassino das pessoas que são ignorantes sem terem chegado a esta ignorância pelo caminho mais difícil.

somente uma pessoa medíocre está sempre usando todo o seu potencial.

problemas complexos tem soluções simples, fáceis de entender e erradas.

para cada ação existe uma crítica igual e no sentido contrário.

para cada problema na humanidade existe uma solução simples e clara, e está será sempre a solução errada.

12/15/06 02:12 pm

é estranho, a luz se intensifica e as sombras criam vida. observo esse fenômeno refletido pela tela da televisão desligada, deitado na cama as três da manha com uma tremenda dor no pescoso depois de uma tentativa frustada de acordar no meio da noite dando cambalhotas e dar com a cara no chão. agora eu escrevo isso no caderno para depois passar para o computador, que letra horrível por sinal.

curioso esses impulsos repentinos que nós temos ao acordar de madrugada, lembro de uma vez que estava tendo um sonho muito estranho sobre alguém vir voando e derrubar um castelo de cartas, então acordei ja de pé correndo para o banheiro e só pensando no vazio, levantei a tampa do vaso e vomitei. para mim foi um bocado estranho tudo isso, mas no fundo até que achei engraçado. sei que eles estão lá quando sinto a luz dos postes batendo forte nos meus olhos, um bocado calejados.

''o tempo é como o mar traz as coisas devagar''

12/11/06 08:01 pm - devaneios e divagações

como é agradabilíssimo o som das sirenes de bombeiro vindo pela janela de um ônibus lotado de baixo de um sol escaldante. lá se vão eles de vermelho. o fogo e a água.

o burro é o maioral, porque ele não consegue completar o segundo grau. e o quanto a razão e o bom senso? com certeza ele estica essa linha e come com catchup no café da manha.

a trilha é mais longa que o seu nariz...

''...os homens... porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
e por pensarem ansiosamento no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro.
e vivem como se nunca fossem morrer...
...e morrem como se nunca tivessem vivido'' - dalai lama

11/11/06 08:18 pm

sol dos insones

9/18/06 08:15 pm



highway chile rollin stone rollin down the highway highway chile

9/18/06 03:27 am

pular do sétimo andar e sair voando, pousar com a cara no asfalto. se pudessemos atravessar o espaço de 10% de átomo vazio, seria mais fácil de entender o que se passa na cabeça? e se  vivessemos por seiscentos anos, seria pouco? o tempo está ótimo, para que não se parta a linha, e com isso mais longe vai o peixe grande.

8/26/06 07:15 pm

how many roads must a man walk down
before you call him a man?
how many seas must a white dove sail
before she sleeps in the sand?
yes and how many times must cannonballs fly
before they're forever banned?
the answer my friend is blowin' in the wind

yes and how many years can a mountain exist
before it's washed the seas
yes and how many years can some people exist
before they're allowed to be free?
yes and how many times can a man turn his head
pretend that he just doesn't see?
the answer my friend is blowin' in the wind

yes and how many times must a man loop up
before he can see the sky?
yes and how many years must one man have
before he can hear people cry?
yes and how many deaths will it take till he knows
that too people have died?
the answer my friend is blowin' in the wind

bob dylan - blowin' in the wind

8/11/06 08:09 pm - A MORTA

eu a amara perdidamente! por que amamos? é realmente estranho ver no mundo apenas um ser, ter no espírito um único pensamento, no coração um desejo e na boca um único nome: um nome que ascende initerruptamente, que sobe das profundezas da alma como a água de uma fonte, que ascende os lábios, e que dizemos, repetimos, murmuramos o tempo todo, por toda parte, como uma prece.

não vou contar a nossa história. o amor só tem uma história, sempre a mesma. encontrei-a e amei-a. eis tudo. e vivi durante um ano na sua ternura, nos seus braços, nas suas carícias, no seu olhar, nos seus vestidos, na sua voz, envolvido, preso, acorrentado a tudo que vinha dela, de maneira tão absoluta que nem sabia mais se era dia ou noite, se estava morto ou vivo, na velha terra ou em outro lugar qualquer.

e depois ela morreu.

como? não sei, não sei mais. voltou toda molhada, nutria noite de chuva, e no dia seguinte, tossia. tossiu durante cerca de uma semana e ficou de cama.

o que aconteceu? não sei mais.

médicos chegavam, receitavam, retiravam-se. traziam remédios; uma mulher obrigava-a a tomá-los. tinha as mãos quentes, a testa ardente e úmida, o olhar brilhante e triste. falava-lhe, ela me respondia. o que dissemos um ao outro? não sei mais. esqueci tudo, tudo, tudo! ela morreu, lembro-me muito bem do seu leve suspiro, tão fraco, o último. a enfermeira exclamou ''ah! compreendi, compreendi!''

não soube de mais nada. nada. vi um padre que falou assim: ''sua amante'' tive a impressão de que a insultava. já que estava morta, ninguém mais tinha o direito de saber que fora minha amante. expulseio-o. veio outro que foi muito bondoso, muito terno. chorei quando me falou dela.

consultaram-me sobre mil coisas relacionadas com o enterro. não sei mais. contudo, lembro-me muito bem do caixão, do ruído das marteladas quando a enterravam lá dentro. ah! meu deus! ela foi enterrada! enterrada! ela! naquele buraco! algumas pessoas tinham vindo, amigas. caminhei durante muito tempo pelas ruas. depois voltei para casa, no dia seguinte, parti para uma viagem.

ontem, regressei a paris.

quando revi o meu quarto, o nosso quarto, a nossa cama, os nossos móveis, toda essa casa onde ficara tudo o que resta da vida de um ser depois da sua morte, o desgosto apoderou-se de mim novamente, de uma forma tão violenta que quase abri a janela para atirar-me à rua. não podendo mais permanecer no meio daqueles objetos, daquelas paredes que a tinham encerrado, abrigado, e que deviam conservar em suas fendas imperceptíveis milhares de átomos seus, da sua carne e da sua respiração, peguei meu chapéu para sair. de súbito, ao atingir a porta, passei diante do grande espelho que ela mandara colocar no vestíbulo para mirar-se, dos pés a cabeça, todos os dias antes de sair, para ver se toda a sua toalete lhe ia bem, se estava correta e elegante, das bonitas ao chapéu.

e parei, de chofre, diante desse espelho que tantas vezes a refletira. tantas, tantas vezes, que também deveria ter guardado a sua imagem.

fiquei lá, de pé, trêmulo, os olhos fixos no vidro liso, profundo, vazio, mas que a contivera toda, que a possuíra tanto quanto eu, tanto quanto o meu olhar apaixonado. tive a impressão de que amava aquele espelho - toquei-o - estava frio! ah! recordação! espelho doloroso, espelho ardente, espelho vivo, espelho horrível, que inflige todas as torturas! felizes os homens cujo coração, como um espelho onde os reflexos deslizam e se apagam, esquece tudo o que conteve, tudo o que passou à sua frente, tudo o que se contemplou e mirou na sua feição, no seu amor! como sofro! saí e, involuntariamente, sem saber, sem querer, dirigi-me ao cemitério. encontrei seu túmulo, um túmulo singelo, uma cruz de mármore com algumas palavras: ''ela amou, foi amada, e morreu''

lá estava ela, embaixo, apodrecendo! que horror! eu soluçava, a fronte do chão.

fiquei lá por muito tempo, muito tempo. depois, percebi que a noite se aproximava. então, um desejo estranho, louco, um desejo de amante desesperado apoderou-se de mim. resolvi passar a noite junto dela, a última noite, chorando no seu túmulo. mas que me veriam, me expulsariam. que fazer? fui esperto. levantei-me e comecei a vagar pela cidade dos quatro desaparecidos. vagava, vagava. como é pequena essa cidade ao lado da outra, daquela em que vivemos! precisamos de casas altas, de ruas, de tanto espaço, para as quatro gerações que vêem a luz ao mesmo tempo, que bebem a água das fontes, o vinho das vinhas e comem o pão das planícies.

e para todas as gerações dos mortos, para toda a série de homens que chegaram até nós, quase nada, um terreno apenas, quase nada! a terra os torna de volta, o esquecimento os apaga. adeus!

na extremidade do cemitério habitado, avistei subitamente o cemitério abandonado, onde os velhos defuntos acabam de misturar-se à terra, onde as próprias cruzes apodrecem, e onde amanhã serão colocados os últimos que chegarem. está cheio de rosas silvestres, de ciprestes negros e vigorosos, um jardim triste e soberbo alimentado com carne humana.

estava só, completamente só. agachei-me perto de uma árvore verde. escondi-me completamente entre os galhos grossos e escuros.

e esperei, agarrado ao tronco como um náufrago aos destroços.

quando a noite ficou escura, bem escura, deixei o meu abrigo e comecei a caminhar de mansinho, com passos lentos e surdos, por essa terra repleta de mortos.

vaguei durante muito, muito tempo. não a encontrava. braços estendidos, olhos abertos, esbarrando nos túmulos com as mãos, com os pés, com os joelhos, com o peite, e até com a cabeça, eu vagava sem encontrá-la. tocava, tateava como um cego que procura o caminho, apalpava pedras, cruzes, grades de ferro, coroas de vidro, coroas de flores murchas! lia nomes com os dedos, passando-os sobre as letras. que noite! que noite1 não a encontrava!

não havia lua! que noite! sentia medo, um medo horrível, nesses caminhos estreitos entre duas filas de túmulos! túmulos! túmulos! túmulos! sempre túmulo! à direita, à esquerda, à frente, à minha volta, por toda parte, túmulos! sentei-me num deles, pois não podia mais caminhar, de tal forma meus joelhos se dobravam. ouvia meu coração bater! e também ouvia outra coisa? o quê? um rumor confuso, indefinível! viria esse ruído do meu cérebro desvairado, da noite impenetrável, ou da terra misteriosa, da terra semeada de cadáveres humanos? olhei à minha volta!

quanto tempo fiquei ali? não sei. estava paralisado de terror, alucinado de pavor, prestes a gritar, prestes a morrer.

e, de súbito, tive a impressão de que a laje de mármore onde estava sentado se movia. realmente, ela se movia, como se a estivessem levantando, como um salto, precipitei-me para o túmulo vizinho e vi, sim, vi erguer-se verticalmente a laje que acabara de deixar, e o morto apareceu, um esqueleto nu que empurrava a lápide com as costas encurvadas. eu via, via muito bem. embora a escuridão fosse profunda. pude ler sobre a cruz?

''aqui jaz jacques olivant, morto aos cinqüenta e um anos de idade. amava os seus, foi honesto e bom, e morreu na paz do senhor.''

o morto também lia o que estava escrito no seu túmulo. depois, apanhou uma pedra no chão, uma pedrinha pontiaguda, e começou a raspar cuidadosamente o que estava lá. apagou tudo, lentamente, contemplando com seus olhos vazios o lugar onde ainda há pouco existiam letras gravadas; e, com a ponta do osso que fora seu indicador, escreveu com letras luminosas, como essas linhas que traçamos com a ponta de um fósforo:

''aqui jaz jacques olivant, morto aos cinqüenta e um anos de idade. apressou com maus tratos a morte do pai de que desejava herdar, torturou a mulher, atormentou os filhos, enganou os vizinhos, roubou sempre que pode e morreu miseravelmente.''

quando acabou de escrever, o morto contemplou sua obra, imóvel, e voltando-me, notei que todos os túmulos estavam abertos, que todos os cadáveres os tinham abandonado, que todos tinham apagado as mentiras inscritas pelos parentes na pedra funerária, para aí restabelecerem a verdade.

e eu via que todos tinham sido carracos dos parentes, vingativos, desonestos, hipócritas, mentirosos, pérfidos, caluniadores, invejosos, que tinham roubado, enganado, cometido todos os atos vergonhosos, abomináveis, esses bons pais, essas esposas fiéis, esses filhos devotados, essas moças castas, esses comerciantes probos, esses homens e mulheres ditos irrepreensíveis.

escrevia todos ao mesmo tempo, no limiar da sua morada eterna, a cruel, terrível e santa verdade que todo mundo ignora ou finge ignorar nesta terra.

imaginei que também ela devia ter escrito a verdade no seu túmulo, e agora já sem medo, correndo por entre os caixões entreabertos, por entre os cadáveres, por entre os esqueletos, fui em sua direção, certo de que logo a encontraria.

reconheci-a de longe, sem ver o rosto envolto no sudário.

e sobre a cruz de mármore onde há pouce lera:

''ela amou, foi amada, e morreu'' divisei:

''tendo saído, um dia, para enganar seu amante, resfriou-se sob a chuva, e morreu.''

parece que me encontraram inanimado, ao nascer do dia, junto a uma sepultura.

- guy de maupassant

6/29/06 08:42 pm

era um abutre que me dava grandes bicadas nos pés. tinha já dilacerado sapatos e meias e penetrava-me a carne. de vez em quando, inquieto, esvoaçava à minha volta e depois regressava à faina. passava por ali um senhor que observou a cena por momentos e me perguntou depois como eu podia suportar o abutre.

-é que estou sem defesa - respondi. - ele veio e atacou-me. claro que tentei lutar, estrangulá-lo mesmo, mas é muito forte, um bicho destes! ia até saltar-me à cara, por isso preferi sacrificar os pés. como vê, estão quase despedaçados.

-mas deixar-se torturar dessa maneira! - disse o senhor. -basta um tiro e pronto!

-acha que sim?-disse eu. -quer o senhor disparar o tiro?

-certamente - disse o senhor. - é só ir a casa buscar a espingarda. consegue aguentar meia hora?

-não sei lhe dizer.-respondi.

mas sentindo uma dor pavorosa, acrescentei:

-de qualquer modo, vá, peço-lhe.

-bem- disse o senhor. -vou o mais depressa possível.

o abutre escutara tranquilamente a conversa, fitando-nos alternadamente. vi então que ele percebera tudo. elevou-se com um bater de asas e depois, empinando-se para tomar impulso, como um lançador de dardo, enfiou-me o bico pela boca até ao mais profundo do meu ser. ao cair senti, com que alívio, que o abutre se engolfava impiedosamente nos abismos infinitos do meu sangue.

- o abutre, kafka

5/22/06 09:12 pm

''estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.''

- clarice lispector

3/15/06 12:58 am - dar e receber

um professor de zen, após anos como orientador de um aluno particularmente sensível e sábio, resolveu lhe dar um presente:
''estou ficando velho, em breve morrerei. para simbolizar sua sucessão a mim como meste vou lhe dar este livro valiosíssimo.''

o discípulo, entretanto, não estava interessado em livros:
''não é necessário, obrigado, mestre. eu aceitei o seu ensinamento como o zen que prescinde a palavra escrita. gosto de sua face original. fique com seu precioso livro.''

o professor insistiu, e afirmou, orgulhoso:
''este livro atravessou sete gerações, é uma relíquia! por favor, fique com ele como um símbolo de sua aceitação do manto e da tigela!''

o outro apenas disse:
''está bem, dê-me o livro.''

ao recebê-lo, o seu discípulo simplesmente atirou o livro no fogo próximo, queimando-o. o professor ficou chocado. gritou para o aluno, indignado:
''como pôde fazer isso?! era uma peça inestimável de conhecimento!''

foi a vez do sábio discípulo ficar indignado:
''como podes dar mais valor a papel e couro do que áquilo que me ensinastes diretamente, de forma pura? ensinar uma sabedoria que não se pode praticar é como agir sem coração, e não ser nada mais do que um repetidor de textos sagrados. tu me deste um objeto, eu usufrui dele como considerei adequado. como podes ficar indignado com um simples dar e receber?''

2/20/06 03:27 pm

"parei de falar quando tinha 6 anos de idade
não queria ter nada mais a ver com o mundo lá fora
estava feliz ficando quieta
mas é claro que eles não me deixariam em paz
meus pais tentaram cada truque do livro
de fonoaudiólogos a psicólogos infantis
eles tentaram até suborno
eu poderia ter qualquer coisa, desde que dissesse alto

a vida é injusta, se mate ou supere
a vida é injusta, se mate ou supere"
(child psychology)
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